Propaganda infantil: pode ou não?

A redação desse ano no ENEM foi sobre Publicidade Infantil e o aluno teria que escrever sobre isso, um tema muito controverso e que deveríamos tomar um certo cuidado o quanto a isso.

A redação desse ano no ENEM foi sobre Publicidade Infantil e o aluno teria que escrever sobre isso, um tema muito controverso e que deveríamos tomar um certo cuidado o quanto a isso. Como sou formado em publicidade é muito simples para mim arcar com o tema, porque tem a ver como encaramos a publicidade e como ele é em seu fundamento mais intimo e real. Primeiro devemos refletir o papel que a publicidade tem dentro da sociedade e o porque ela existe dentro de uma mercantilidade, seja essa mercantilidade publica ou privada.

É fato que a publicidade lida com o mercado, isso não há o que discuti, porque se fosse fácil de comandar um ser humano era só dizer “compre isso” ou “faça aquilo” e isso não acontece. A publicidade tem um papel totalmente definido dentro do mercado e dentro de nossas vidas, porque sem a publicidade, não haveriam meios de ter esse comando. O comando é mais ou menos, como você dizer para a pessoa que aquilo é bom e que aquilo vai fazer ela ter um status maior do que ela tem. Seria mais ou menos, dentro do desejo das pessoas e isso é feito dentro da mentira.

O MacDonald, por exemplo, não vende o lanche dentro dos padrões que estão na foto porque é um jogo de marketing e um reforço dentro de um desejo de comer um lanche dentro daqueles padrões. E mesmo sabendo que não vendem igual, compramos esse lanche só pelo status que isso dá, ou, simplesmente o nome fica gravado em nossa mente e não sai mais. Lógico, que quem sabe disso burla o desejo e compra aonde quer, mas muitas pessoas não sabem disso e acabam fazendo só pelo desejo da foto. Escrevendo sobre, já estou com vontade, porque já está em minha mente.

Talvez há uma confusão dentro da terminologia que acaba sendo um ponto onde as mídias e os intelectuais se confundem quando escrevem ou falam sobre o tema. Publicidade é algo que levamos ao publico porque tem a ver com divulgação de uma ideia ou outra coisa, tem a ver também dentro da comunicação daquilo que se faz. Eu publico um post no portal, eu publico meu layout, eu publico meu banner, são exemplos esses que dissemos no dia a dia.

Porque ao publicar, você está espalhando a sua ideia. Agora propaganda é propagar, levar a maior números de pessoas o seus serviços e suas ideias e não é a toa – mesmo assim até alguns publicitários se confundem – que propaganda tem a ver com publicidade e vice e versa. E há um erro enorme em dizer que publicitários de campanha eleitoral são “marketeiros” porque são muito mais propagadores de uma imagem – publicando a imagem de um candidato conforme o que o eleitor deseja – do que vendendo essa imagem porque tem muito a ver com o desejo e os sentimentos do que uma venda de algo. Sobre o marketing podemos refletir em um outro momento, porque tem a ver com mercadologia.

Talvez com esse tema devêssemos entrar na ética da publicidade e perguntar se é ético fazer propaganda infantil e se isso realmente abala o alicerce do desenvolvimento psicológico da criança. Eu posso afirmar que sempre vi esse tipo de propaganda e não tive nem um terço que essas propagandas mostravam – porque naquele tempo era muito caro mesmo – e nem por isso time maiores traumas. Eu acredito que muitas dessas leis tem a ver com o “politicamente correto” e nem defendo a minha classe, mesmo o porque muitas vezes não se tem ética, mas há exageros enormes em dizer que isso estimula o consumo da criança e por isso deve ser proibido.

Por que? Os pais devem colocar limites e analisar o que pode e o que não pode e não ongs do direito alheiro, porque senão, vamos desautorizar a educação que os pais dão aos seus filhos. Porém – porque sempre gosto de ser o advogado do diabo – hoje há um exagero dentro desse tipo de publicidade porque ela se faz dentro do programa televisivo que a criança assisti.

Talvez dai que entra a lei e é isso que deve estar salientado, porque uma coisa é estimular o desejo de uma criança que pode ficar doente por causa daquilo – que muitas vezes eu vi sim crianças doentes por causa de determinado produto – e pode estimular os pais a comprar aquilo que muita vezes, não podem e mostrar o produto em horários nobres para os adultos de repente, achar que aquilo pode sim ser comprado para seu filho. Uma coisa é você assegura a saúde psicológica da criança, outra coisa é colocar essas mesmas crianças em uma redoma de vidro conceitual.

Outra coisa é compra casada que não existe mais. O MacDonald vende o brinquedo separado e não junto e mesmo o porque, compra quem achar por bem comprar. O que ainda a sociedade não vê que existe a escolha, porque podemos escolher e podemos não escolher, porque tem a ver com nossa vontade. Mas tem outros pontos a serem abordados que são no tema.

Por que publicidade infantil não pode, mas atores mirins pode? São duas coisas que parecem antônimas, mas são sinônimas e podem entrar tanto na lei de publicidade infantil, quanto a lei de trabalho infantil. Isso tira alguma das coisas importantes dessa discussão, porque tem a ver com a divulgação e a propaganda daquilo, como se a criança que trabalha dentro da televisão, vai ser mais feliz.

Então devemos amadurecer a discussão nesse sentido, porque de repente fica muito na discussão mercadológica – que ai sim entra no marketing – e muito pouco nos direitos das crianças de serem crianças. Porque quantos cantores mirins, quanto atores mirins e etc, tiveram depressão e outros problemas porque não tiveram uma infância? Recentemente, tivemos o evento do Teleton que expunham crianças com deficiência e essa imagem é sim uma forma de publicidade muito mais perversa, porque expunha crianças por causa de doações. Sera que isso é ético ou não é ético só a publicidade mercadológica? Porque isso também é publicidade infantil.

Isso não tem nada a ver em comunismo ou capitalismo – mesmo o porque tenho minhas duvidas se o partido do governo é comunista – isso tem a ver com algumas regulamentações que devem ser feitas dentro de um regime democrático. Nem tudo podemos fazer para assegurar o direito do outro em convívio mutuo, isso também tem a ver com a mídia e os meios de comunicação. Só que não podemos ter um olhar unilateral, senão fica uma discussão pobre e fica uma discussão mirando somente interesses.

Parceira


  

 

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